Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]




Só tenho direito a 12 desejos não é? Acabo de saber que afinal já não preciso usar um deles.

 

Chegou-nos há pouco (ironia das ironias, por telefone, Nokia E71), a notícia de que a Ensitel havia publicado um novo comunicado ponto um ponto final nesta história.

 

Deixo os saltos e os olés para quando estiver mais entornado. Por agora ficam alguns sentimentos contraditórios:

 

O comunicado está muito bem redigido. Antes de mais porque é o primeiro a vir assinado. É o primeiro contacto a ter um rosto humano. Um tal Pedro Machado. Em seguida porque não se limita a anunciar o fim da acção judicial; pelo contrário, perspectiva uma postura diferente para com os clientes no futuro.
E no entanto, os sentimentos são, como disse, contraditórios. Depois de viver de perto a montanha russa de emoções e acontecimentos das últimas 24/48 horas, com as suas ilusões, frustrações, irritações e esperanças, diz-me o meu lado racional para não embandeirar em arco e não retirar conclusões precipitadas como já tenho visto alguns fazer.


A Ensitel é uma empresa. E o objectivo supremo de qualquer empresa é fazer dinheiro. Nada mais do que isso. Não é inteligente relacionarmo-nos com empresas da mesma forma que o fazemos com pessoas de carne e osso. Nas empresas não há compaixão, humanidade nem valores de liberdade e fraternidade. Nas empresas há a religião do lucro.

 

Não foi por acção directa das nossas tiradas inflamadas, da nossa sátira ou promessas de não comprar nada à Ensitel que este volte face aconteceu. Não se iludam. A Ensitel já havia provado não ter o "rádio" sintonizado nessa frequência.

 

Foi antes por acção indirecta. De três formas:

 

Em primeiro lugar, o escalar do caso para os órgãos de comunicação social tradicionais, com direito a abertura de blocos noticiosos e vários artigos de opinião.

 

Em segundo, a coincidência de não haver outro tópico noticioso "sumarento" nesta altura. E de o público querer ouvir algo mais do que notícias sobre a crise.

 

e "last but definitely not least"

 

A consciência da ineficácia da acção que a Ensitel moveu. Quando esta decidiu avançar, pensou que a remoção dos posts iria garantir a protecção do seu "bom nome".A reacção de todos nós teve um efeito colateral que acabou por ser definitivo. O mérito da acção suspensiva movida pela Ensitel esvaziou-se por completo.A Ensitel percebeu que não lhe iria servir de nada mandar remover os posts. Não só estes já estavam replicados em vários sites, como o seu conteúdo era inócuo quando comparado com as centenas de novos posts escritos pela comunidade. Qualquer um deles bem mais atentatório ao "bom nome" da empresa.

 

A decisão era pois: ou avançar com uma acção cujo efeito prático seria 0. Ou recuar e fazer damage control, cumprindo o objectivo de qualquer empresa: ganhar o máximo de dinheiro e evitar as situações que afectem negativamente as suas vendas.

 

Optaram e bem pela segunda. Cá estaremos para ver as iniciativas que "estão a preparar".

 

E desta reacção química que precipitação ficou?

 

. Ainda há esperança para as causas online

. Cerca de 5% dos que se manifestaram via Twitter contribuiram activamente para os custos legais de defesa. Isto em menos de 24h e numa véspera de fim-de-ano.

. Trolls will be trolls. Para sempre.

 

Uma nota final.

 

Embora o Twitter e os Blogs sejam por vezes muito parecidos com os primeiros 10 minutos da Vida de Brian, com tanto messias, tantos Biggus Dickus e Sillius Soddu, tudo isto aconteceu espontaneamente. Sem necessidade de recorrer a profetas ou auto intitulados criadores do universo para nos guiar.

 

Os profetas desta vez estiveram de férias. Se calhar foi por isso.

 

Bom 2011

 

O texto do comunicado:

 

Autoria e outros dados (tags, etc)

Tags:


4 comentários

Sem imagem de perfil

De Texy a 04.01.2011 às 04:30

Eduardo. Mais uma vez um excelente artigo! Gostei acima de tudo da parte dos profetas e similares. Gostaria apenas de esclarecer um assunto. Embora concordando com a tua apreciação sobre a falta de humanidade das empresas, ainda há dignas e meritórias excepções onde se pode ganhar direito com ética e respeito pelos clientes. Aliás existem grupos empresariais em Portugal onde o principal tema debatido é esse mesmo. Por outro lado há empresas e EMPRESAS, como em tudo na vida. Vale mais um cliente satisfeito que dois insatisfeitos. Separemos o trigo do joio.
Sem imagem de perfil

De Texy a 04.01.2011 às 04:35

Onde se lê: "onde se pode ganhar direito com ética e respeito pelos clientes", deve-se ler: onde se pode ganhar dinheiro com ética e respeito pelos clientes. Mea culpa.
Imagem de perfil

De Eduardo a 04.01.2011 às 15:59

Olá Texy,

Provavelmente tens razão, mas eu questiono-me: qualquer que seja a empresa face a duas opções:

1. Ganhar mais dinheiro de forma menos ética
2. Perder dinheiro e manter a face.

Sobretudo em empresas sem cara (i.e. sociedades anónimas), receio que a primeira opção seja a escolhida. Existem mecanismos de gestão que penalizam até os que optem pela opção 2.

Espero mesmo que tenhas razão :)
Sem imagem de perfil

De Texy a 04.01.2011 às 19:37

Eduardo. Concerteza que a 1ª opção é seguida pela maioría das empresas, não só em cá como em todo o mundo. O que eu quiz acima de tudo transmitir foi que por vezes generalizar é uma injustiça. Mas sei que o que afirmas, é verdade, infelizmente! Sinceramente não acredito que, apesar deste triste caso Ensitel, alguma coisa mude. Cumps.

Comentar post








Arquivo

  1. 2014
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D
  14. 2013
  15. J
  16. F
  17. M
  18. A
  19. M
  20. J
  21. J
  22. A
  23. S
  24. O
  25. N
  26. D
  27. 2012
  28. J
  29. F
  30. M
  31. A
  32. M
  33. J
  34. J
  35. A
  36. S
  37. O
  38. N
  39. D
  40. 2011
  41. J
  42. F
  43. M
  44. A
  45. M
  46. J
  47. J
  48. A
  49. S
  50. O
  51. N
  52. D
  53. 2010
  54. J
  55. F
  56. M
  57. A
  58. M
  59. J
  60. J
  61. A
  62. S
  63. O
  64. N
  65. D
  66. 2009
  67. J
  68. F
  69. M
  70. A
  71. M
  72. J
  73. J
  74. A
  75. S
  76. O
  77. N
  78. D
  79. 2008
  80. J
  81. F
  82. M
  83. A
  84. M
  85. J
  86. J
  87. A
  88. S
  89. O
  90. N
  91. D
  92. 2007
  93. J
  94. F
  95. M
  96. A
  97. M
  98. J
  99. J
  100. A
  101. S
  102. O
  103. N
  104. D