Segunda-feira, 10 de Dezembro de 2007
Guitar Hero: O drama do terceiro álbum


Qualquer melómano que se preze conhece a máxima que regula a criatividade e a qualidade da produção musical. É daquelas certezas que não se explica mas que volta sempre como as marés. Melhor comparação ainda é a história dos lagartos nunca passarem do Natal. Ninguém sabe porquê, mas todos os anos acontece.
No caso da indústria musical, reza a máxima que a partir do terceiro álbum tudo muda. Perde-se o encanto, a novidade, a criatividade, em suma: a qualidade.
Antes de começarem a atirar pedras (Stones), escaravelhos e outras velharias, é óbvio que toda a regra tem excepção. Até mesmo os lagartos já ganharam qualquer coisa há uns anos atrás.

Vejam-se os Clã, os Dire Straits, o Joe Jackson, o Marcus Miller, os Trust, os Madredeus, etc...
São exemplos escolhidos por marcarem a diferença quando surgiram. E a todos aconteceu o mesmo.

Mas o que tem isto a ver com o Guitar Hero?

Tudo! Não imaginava que os criadores do jogo levassem a pseudo-simulação a este extremo.
Meus amigos, o Guitar Hero III é... UMA BOSTA!
Assim. Sem guarda-chuva nem luvas de pelica. Uma valente peça de lixo tecnológico.

Os mais desconfiados dirão: "Lá está mais um palhaço a falar mal do jogo só porque não consegue acertar duas notas seguidas". Eu ofendo-me com a segunda parte da frase.
Perdi horas a mais com o Guitar Hero I e II para poder dizer isto.

O GH III prometia ser a melhor coisa depois do bolo de chocolate com creme de leite. E tinha tudo para isso. Novas consolas, novas formas de conectividade, etc etc.
Infelizmente, ao terceiro álbum, perderam-se.
Comprei a versão para a PS3 (por não encontrar a da XBOX 360 em lado nenhum). Odiei.
Sim, os gráficos estão bons, o som também. A guitarra é bem melhor que a anterior e ainda por cima é wireless. A jogabilidade? ZERO.

Fazer um jogo que dependa da perícia e destreza do jogador é tarefa difícil. Difícil porque tem de ter uma dinâmica e mecânica impecáveis. O jogador tem de sentir total confiança quando executa uma "manobra", i.e. uma sequência de teclas premidas na mesma ordem e no mesmo tempo tem SEMPRE de produzir os mesmos resultados. Esse é o princípio fundamental. E isso acontecia no Guitar Hero I e II. Era previsível. Como um bom carro bem equilibrado.

Jogar esta nova versão é como conviver com um felino numa jaula. Nunca se sabe o que vai acontecer a seguir. Só o desfecho é previsível, i.e. negativo.
São inúmeras as secções das músicas em que a matemática não funciona e é substituída pela surpresa indesejável. Notas que sabemos que acertámos mas que a consola diz que não. É frustrante.
Depois de muito pesquisar e de ler comentários igualmente frustrados de outros infelizes compradores, ainda julguei tratar-se de um problema da versão PS3. Provavelmente justificada pela implementação wireless ad-hoc que usaram. As pressas de lançamento dão nisto. Ao invés de usarem o protocolo wireless que os comandos de PS3 usam, optaram por um wireless transmiter ligado por usb.
Crédulo e apaixonado do jogo como sou, fui atrás da versão PS2. Liguei-lhe as velhas guitarras das versões anteriores e o resultado foi o mesmo.

Conclusão? Incompetência e má programação. Tanto investimento em marketing deve ter limitado o valor disponível para o que realmente interessava.

Podia continuar aqui com mais comparações automóveis entre ferraris com motor de rega e um bom carro de rally, mas já é chover no molhado.

Não comprem!

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